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Perspectivas e desafios do cooperativismo de crédito frente ao cenário econômico

   03/07/2015
Fonte: Edson Georges Nassar   

O cooperativismo de crédito se constituiu com a importante missão de ser instrumento de organização econômica da sociedade. O que se propõe não é o lucro, mas a inclusão financeira de milhões de pessoas no mundo, independentemente da origem, atividade econômica ou classe social. Ao longo do tempo, conquistou a confiança e provou ser um modelo sustentável e moderno. Hoje, atuam 57 mil cooperativas de crédito em 103 países, reunindo 208 milhões de pessoas. Estes números representam instituições financeiras que além de oferecerem produtos e serviços ao mercado, trazem aos associados a possibilidade de serem donos do negócio e não apenas clientes.

 

No Brasil, a visão de sustentabilidade do cooperativismo de crédito ganha uma importância maior com o atual momento do cenário econômico. Temos dos nossos associados a confiança na solidez do nosso modelo de negócio. Observamos que num cenário com elevação da taxa de juros, um contexto internacional turbulento e ações em curso para ajustes na política econômica do país, o cooperativismo de crédito se sobressai e mantém-se em curva ascendente de indicadores.

 

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a base de associados do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) teve um crescimento de 171%, de 2006 a 2014. Em relação ao volume de ativos, o total no período analisado aumentou em 590%, alcançando a cifra de R$ 143,6 bilhões em 2014. Entre a crise financeira mundial, em 2009, e o início da estabilização do Sistema Financeiro Nacional, em 2011, o cooperativismo de crédito deu um salto no volume de ativos de R$ 37 bilhões para R$ 58 bilhões - quase dobrando de tamanho. O volume de operações de crédito teve crescimento total no período de 483%, o que representa, em média, um aumento ano a ano de 60,3% nas operações das cooperativas de crédito.

 

Com a entrada em funcionamento do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), 2014 foi um ano em que o setor focou na estruturação para sustentar o seu desenvolvimento. Além disso, o Banco Central continua estimulando as cooperativas de crédito com ajustes na regulamentação, ao mesmo tempo em que tem promovido debates e proposições que buscam o fortalecimento dos pilares indispensáveis à consolidação.

 

Referência no cooperativismo de crédito, por meio de uma marca nacional com atuação local, o Sicredi chegou aos três milhões de associados em maio deste ano – crescimento de 94,6% da base nos últimos sete anos. Implantamos novos processos de governança, ampliamos significativamente o portfólio de produtos e serviços para atender as necessidades dos associados e incrementamos ações que fortalecem a inserção da instituição no mercado financeiro.

 

No ano passado, o volume de sobras líquidas totalizou R$ 1,1 bilhão, incremento de 38,6% sobre 2013 e as perspectivas são otimistas. O Sicredi vai investir R$ 250 milhões em 2015 para expandir sua presença no país e aprimorar o atendimento em meios físicos digitais, sempre com foco no desenvolvimento.

 

Para o segmento do cooperativismo de crédito brasileiro, 2015 será um ano de consolidação dos avanços apresentados ao longo do tempo. O crescimento deve manter os índices que vem apresentando nos últimos anos, pois as cooperativas de crédito têm demonstrado capacidade de absorção adequada dos efeitos de instabilidade no cenário econômico. Isto deve-se, principalmente, pela solidez conquistada e ao nível de proximidade e de relacionamento que as cooperativas mantêm com seus associados, o que no Sicredi denominamos de “fazer com”: engajar nossos sócios, focar nas suas necessidades e propiciar sempre a melhor experiência. Por essas razões, tenho convicção de que o cooperativismo de crédito, como instrumento de organização econômica da sociedade, continuará com a sua rota de crescimento e de relevância no setor financeiro nacional.