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Presidente do Sistema OCB avalia 2015 Márcio Lopes de Freitas

   05/01/2016
Fonte: Por Assessoria OCB    

Encerraremos mais um ciclo, um ano que certamente não sairá tão cedo da memória dos brasileiros. Presenciamos revelações sobre corrupção envolvendo políticos, empresários e instituições ligadas ao Poder Executivo. Quase que diariamente, os noticiários davam conta de escândalos que envolviam os três poderes de uma mesma República. A nossa! Os impactos negativos foram muitos. Alguns irremediáveis, até. Mas, no meio de tanta crise, as cooperativas brasileiras, afetadas assim como todos os elos da economia, seguiam seu caminho, aproveitando as oportunidades que surgiam. O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, fez uma avaliação deste ano de 2015 e afirmou que, em 2016, a agricultura será o grande trunfo da economia nacional. Leia a entrevista abaixo:

Como o senhor avalia o ano de 2015, considerando o resultado das cooperativas brasileiras?

Márcio Freitas – O ano não fui ruim. As cooperativas agropecuárias, por exemplo, aproveitaram uma safra de boa qualidade e com grande volume. Os preços internacionais, apesar dos altos e baixos ocorridos, ainda se mantiveram, o que gerou resultados bem positivos. Então, podemos considerar 2015 como um ano bom para as cooperativas. Embora tenha havido dificuldades econômicas e financeiras, ainda tivemos uma disponibilidade de crédito rural razoável. Neste caso, O esforço do governo federal, principalmente da ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em antecipar os planos Agrícola e Safra, foi fundamental, pois veio na hora certa.

De que forma a crise econômica repercutiu negativamente no cooperativismo?

Márcio Freitas – A crise econômica na realidade é muito mais profunda do que imaginamos. Ela é estrutural e gera desconfiança, retração na economia e temeridade. Considerando, novamente, o Ramo Agropecuário, cuja produção é uma das grandes ferramentas para contornar as questões da crise, acredito que o Brasil está vivendo uma completa falta de previsibilidade e isso, para quem é agricultor, ou seja, aquela pessoa que planta e aguarda a colheita com esperança, não é favorável. Quem vive do campo precisa ter o mínimo de previsibilidade. E isso vai além de questões climáticas... independe do El Niño ou da La Niña. Então, a crise que mais nos afeta é a falta de horizontes e a sobra de rumores de que as coisas podem piorar! Isso gera um processo de inércia econômica e até de retração.

O que o senhor diria sobre a atualidade política do nosso país?

Márcio Freitas – Nós vivemos uma crise tremenda na estrutura da política brasileira. A discussão de um processo de impeachment ou de uma cassação na Câmara são ápices da crise que é muito mais profunda do que imaginamos. O processo político, como é feito no Brasil, atualmente, não é mais representativo. Perdeu sua legitimidade. E isso gera uma série de consequências negativas, como o empoderamento de órgãos do governo e de elementos da política, além de corrupção e distorções no processo legítimo de representação do cidadão.

Do jeito que está, o que vemos é a insatisfação das pessoas. Parte dos políticos perdeu a capacidade de responder aos anseios da sociedade brasileira. E o que está ocorrendo é a inabilidade da atual estrutura política de dar resposta às pessoas. Essas questões, como impeachment, cassação no Congresso, intervenção do Supremo Tribunal Federal, são processos que nos fazem refletir muito. O que o Brasil precisa é de gente corajosa, dotada de brasilidade, com vontade cívica de fazer uma grande reforma na estrutura política do país. Quando digo que é preciso mudar, não me refiro a pessoas, mas a estruturas. Só assim o Brasil terá previsibilidade e um futuro que eu sei que é palpável, é real, mas que precisa de atitudes firmes para ocorrer o mais rápido possível.

E como fazer isso?                                                               

Márcio Freitas – Com a manifestação e a organização das pessoas. É preciso evidenciar, com ordem, respeito e clareza o que se espera de um governo. A população tem de se posicionar e há diversas formas de fazer isso. A mídia, por exemplo, além das redes sociais e de tantos outras, é uma ferramenta de manifestação. É preciso se posicionar e trabalhar pelo que se deseja. Em todas as áreas da nossa vida, as coisas funcionam assim!

Diante de tantos exemplos de corrupção que vemos diariamente nos noticiários, o que o senhor diria aos nossos leitores?

Márcio Freitas – O filósofo alemão Georg Christoph Lichtenberg tem uma frase que gosto muito. Ela diz o seguinte: “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.”

Não podemos seguir nesta linha. Temos de acreditar que o Brasil não é dos políticos, não é de quem ocupa a Presidência da República, o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal. O Brasil é nosso! É das pessoas que trabalham de sol a sol. O Brasil é a sociedade brasileira. E como ele nos pertence, é preciso corrigir o rumo. E para isso, precisamos ter atitudes corretas no nosso dia-a-dia, na nossa vida. Não podemos entrar na onda de que ‘se todos fazem, eu também vou fazer’. Não! É preciso ser a diferença que tanto queremos ver no Brasil. É necessário agir corretamente, mudar a si mesmo, servir de exemplo dentro de casa, perante os amigos, a sociedade, sua região e, aí sim, o país. Essa é uma revolução, pacífica, que começa dentro de nós.

E como fica 2016, para o cooperativismo?

Márcio Freitas – Como eu disse: onde está a previsibilidade? Depende muito de vários cenários, contudo, 2016 me transmite muito otimismo porque eu acredito na capacidade da nossa agricultura. Nós vivemos uma agricultura de nova geração. Temos produtores que aprenderam a se organizar, a se coordenar, a falar com o mundo, a se informar bem e, desta forma, agir ponderadamente. A Agricultura brasileira é o que é, por causa do nosso clima, das condições físicas do nosso solo e, acima de tudo, por causa dessa geração fantástica de agricultores visionários.

 

Então, apesar do cenário de pouca previsibilidade, acredito que o setor agropecuário, de maneira geral, vai saber desenhar seu caminho em 2016. E eu não serei pessimista, pois acredito que a agropecuária brasileira, amparada pelos setores de serviços (Saúde, Turismo, Educacional, Crédito, Transporte, por exemplo) é a grande salvação da nossa economia.